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Passos para Realização da Necropsia: Dissecação do Cadáver Usando
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Introdução |
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O método de necropsia descrito abaixo apresenta uma forma simples e consistente de examinar um cadáver animal e seus órgãos internos. Será utilizado como modelo um CARNÍVORO, demonstrando a forma de dissecação da carcaça e colheita de amostras. Métodos para necropsia de UNGULADOS, AVES e RÉPTEIS também serão demonstrados. Animais pequenos (com menos de 100g) podem ser fixados inteiros, abrindo-se a cavidade corporal e submergindo o corpo em formol 10%.
Os carnívoros e ungulados devem ser posicionados em DECÚBITO LATERAL ESQUERDO, abrindo dessa forma a lateral direita do cadáver. As aves, répteis e primatas devem ser posicionados em DECÚBITO DORSAL.
Após a abertura da cavidade, deve-se observar a condição nutricional do animal e localização dos órgãos internos. Determinando, antes da remoção dos tecidos, se algum órgão encontra-se fora da posição normal. Nessa etapa, devem ser colhidas as amostras estéreis de sangue e tecidos para cultura bacteriana ou viral. As amostras de sangue podem ser retiradas do coração (preferencialmente do átrio direito). Amostras adicionais também podem ser colhidas para estoque de soro e testes sorológicos.
Após a avaliação das condições gerais do animal, os órgãos devem ser removidos individualmente, examinados e amostrados sistematicamente. Toda alteração (lesão) deve ser descrita de forma criteriosa. Fotografias das lesões podem ser as melhores formas de documentação.
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Descrevendo Anormalidades Encontradas na Necropsia |
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Qualquer anormalidade deve ser descrita conforme os seguintes critérios:
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Localização
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Número e distribuição
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Cor
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Tamanho
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Formato
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Consistência e textura
Exemplo: "O fígado continha nódulos múltiplos, de coloração marrom, com tamanho entre 1 e 3 cm de diâmetro. Distribuídos em todos os lobos hepáticos. Ao corte os nódulos apresentavam-se crepitantes, como se possuísse areia no seu interior”. |
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Dissecação de Carnívoros |
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(Verifique Lista de Conferência no Anexo IIb para amostragem de tecidos) |
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Examinar externamente a carcaça, observando a presença de feridas e a condição da pelagem. Colher amostras de pele de áreas normais e anormais.
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Posicionar o cadáver em decúbito lateral esquerdo.
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Incisar a pele ao longo da linha ventral medial, desde da extremidade do maxilar à base da cauda (Quadro 1, Figura 1). Nas fêmeas examinar as glândulas mamárias. Nos machos, examinar o prepúcio e o pênis. Nos neonatos examinar a região umbilical.
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Expor a musculatura e ossos da lateral direita do corpo, revertendo a pele até a coluna vertebral.
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Desarticular os membros pélvico e torácico, revertendo-os à porção dorsal do corpo.
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Abrir as cavidades abdominal e torácica: Expor toda a cavidade abdominal removendo musculatura e outros tecidos; Abrir a porção direita do tórax cortando as costelas na junção com o esterno e coluna vertebral (Quadro 2, Figura 1); Abrir o saco pericárdico.
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Verificar qualquer anormalidade no posicionamento ou tamanho dos órgãos internos.
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Verificar a quantidade, coloração e conteúdo de qualquer fluído nas cavidades. Observe a ocorrência de aderências entre órgãos e a cavidade e se essas aderências se desprendem facilmente. |
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Figura 1. Abrindo o cadáver de um Carnívoro
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Procedimentos Gerais para Amostragem de Órgãos (Figuras 2-4) |
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Estômago e Intestinos (Remover o estômago e intestinos, abrindo-os somente após o examinar os outros órgãos prevenindo contaminação do local da necropsia).
Figura 2
Localizar a inserção do esôfago ao estômago, antes de secionar o esôfago ligar a abertura do estômago com um cordão, evitando que o conteúdo extravase. Retirar integralmente o estômago e intestinos unidos, secionando as ligações mesentéricas. Retirar também alguns linfonodos mesentéricos. Manter o pâncreas junto ao duodeno e o baço ao estômago. Completando a retirado dos intestinos, secionar o reto e ligar sua extremidade a fim de evitar extravasamento de conteúdo fecal. Abrir os intestinos longitudinalmente. Preferencialmente os intestinos devem ser abertos apenas no final da necropsia, evitando que ocorra contaminação de outros órgãos, da carcaça ou do local de trabalho, com conteúdo estomacal ou entérico. Observar o conteúdo intestinal e gástrico, avaliando a presença de substâncias anormais como plantas tóxicas. Colher amostras estomacais para toxicologia. Colher amostras para histologia do pâncreas e de todas as áreas do trato gastrintestinal. Retirar todos os parasitos encontrados e fixá-los em formol 10%. |
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Baço, Fígado, Pâncreas Separar o baço do estômago, avaliar a presença de anormalidades realizando cortes seriados no parênquima do tecido. Remover amostras para histologia. Remover o fígado da cavidade, examinando internamente a vesícula biliar. Realizar cortes seriados no parênquima hepático, avaliando a presença de anormalidades. Colher amostras para histologia e toxicologia. |
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Rins e Adrenais
Figura 3
Remover e examinar as glândulas adrenais. Colher amostras para histologia. Retirar e examinar os rins. Colher amostras para histologia incluindo córtex, medular e pelve renal. Colher amostras para toxicologia. Remover a bexiga urinária, examinando interna e externamente, colher amostras para histologia. |
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Trato Reprodutivo Retirar e examinar útero e ovários nas fêmeas e testículos nos machos. Realizar cortes longitudinais nas gônadas e cortes expondo a luz uterina antes de fixar as peças em formol. |
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Coração e Pulmões Separar os ossos da laringe, caudais a língua, dissecar a traquéia conjuntamente com o esôfago, indo até o tórax, retirando os pulmões, coração e grandes vasos em conjunto. Retire uma amostra do timo, quando presente.
Abrir e examinar o esôfago, a traquéia, brônquio e bronquíolos. Retirar amostras dos linfonodos ao redor das vias aéreas.
Examinar os pulmões avaliando a presença de nódulos e áreas de consistência aumentada. Colha amostras das áreas anormais e de áreas normais.
Abrir as câmaras cardíacas e examinar as válvulas. Retire amostras abrangendo todas as camadas cardíacas e tecidos valvulares. Abrir os grandes vasos da base e colher amostras do tecidos normais ou alterados. |
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Cabeça e Cavidade Oral
Figura 4
Examinar olhos, boca e narinas avaliando a presença de úlceras e corrimentos anormais. Remover um dos globos oculares, para histologia, secionando os músculos perioculares. Fazer uma incisão entre os ramos mandibulares removendo a língua. Examinar a cavidade oral, amídalas e dentes. Remova, para exame histológico, as amídalas e outros linfonodos subcutâneos localizados na região posterior da cavidade oral e sobre a laringe. Retire uma amostra dos tecidos da língua, para histologia. |
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Encéfalo Para remover completamente o encéfalo, primeiramente deve-se secionar a articulação atlanto-occipital. Retirar a pele da porção superior do crânio e a calota craniana seguindo as marcas apresentadas na figura.
Remover o encéfalo e secioná-lo ao meio. Conservar um hemisfério em formol 10% e o outro sob refrigeração para virologia e toxicologia. |
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Retirada do encéfalo em casos de suspeita de raiva |
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Em casos de suspeita de raiva, maiores cuidados devem ser tomados. A pessoa responsável pelo procedimento deve utilizar máscara, óculos de proteção e protetor facial, além de possuir imunidade vacinal satisfatória contra raiva. Um procedimento seguro é retirar o crânio completo e remetê-lo ao laboratório. Outro procedimento extremamente seguro é, após desarticular o crânio, com auxílio de um tubo plástico (canudo de refrigerante) retirar uma amostra do tecido nervoso, projetando o tubo através do orifício do occipital em direção ao globo ocular. O canudo, com amostras de tecido nervoso, deve ser cortado em pedaços de 1 cm e fixado em formol ou glicerina. Apesar de ser um procedimento bastante seguro para o operador, não permite que outros exames sejam feitos no encéfalo, caso o resultado seja negativo para raiva. A melhor opção é remover completamente o encéfalo, secioná-lo ao meio, enviar um hemisfério para exame de raiva e fixar outra metade para avaliação histológica. |
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Musculatura Esquelética e Nervos Periféricos Retirar amostras do diafragma e músculos dos membros locomotores. Colher amostras dos grandes feixes nervosos dos membros pélvicos. |
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Medula Óssea Remover um dos ossos longos dos membros pélvicos e quebrá-lo. Fixar uma parte para histologia e armazenar outra para cultura microbiológica |
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