Realizando a Necropsia: Considerações Gerais

Verificação para Carbúnculo

Antes de abrir a carcaça deve-se realizar esfregaço de sangue obtido de áreas periféricas (em ungulados) ou da região em edema (nos carnívoros).

Se Forem Observados Bactérias Causadores De Carbúnculo No Esfregaço De Sangue A Carcaça Não Deve Ser Aberta.

A abertura de um cadáver com carbúnculo causará esporulação da bactéria e disseminação do agente no ambiente.

Para avaliar a presença de bactérias causadoras de carbúnculo, antes da abertura da carcaça, uma pequena porção de sangue pode ser obtida de um vaso do pavilhão auditivo ou da região coronal. Em carnívoros amostras de sangue podem ser obtidas de áreas que se encontram edemaciadas na face ou pescoço.

Esfregaço de Sangue

Colocar gota de sangue total na extremidade de uma lâmina de vidro (A). Posicionar a borda de uma segunda lâmina (mantida a um ângulo de 45 graus) sobre a gota de sangue até que essa disperse (B). Posicionar a primeira lâmina em uma superfície plana e tracionar a segunda lâmina rápida e uniformemente para a outra extremidade da primeira (C). O esfregaço deve ter uma borda fina e irregular, como mostra a ilustração (D). Esfregaços espessos podem ser produzidos espalhando-se uma gota de sangue em um pequeno círculo na lâmina. Após secagem do esfregaço a lâmina deve ser identificada em uma das extremidades, com data, espécie, identificação do animal e localização da coleta. As lâminas podem ser transportadas a um laboratório ou coradas mesmo no campo com Azul de Metileno ("New Methylene Blue") ou Corante de Wright.

Diagrama para identificação de B. anthracis e C. septicum

A. Bacillus anthracis, X2000.
Observar 2 características principais:
1. extremidades retas
2. cápsula pálida ao redor da bactéria

B. Clostridium septicum, X 2250
Observar 3 características principais:
1. tamanho pequeno
2. sem cápsula
3. extremidades arredondadas

Bacillus anthracis é comumente confundido com Clostridium sp. (observar figura acima). B. anthracis são bactérias grandes e alongadas (com mais de 10 µm de comprimento) com formato retangular que se apresentam sozinhas ou em cadeias, circundadas por uma cápsula. Quando obtida de animais recentemente mortos B. anthracis geralmente não forma esporos.

Manipulando Carcaças em Decomposição
Muitos dos animais de vida livre encontrados mortos apresentam algum grau de AUTÓLISE, porém testes diagnósticos podem ser realizados se as amostras forem manipuladas de forma correta.

Manipular cuidadosamente os tecidos autolisados para avaliação histopatológica.
Colha amostras somente das bordas dos tecidos
Realize os cortes com um faca bem afiada ou um bisturi.
Rapidamente coloque a amostra em formol. Não congelar tecidos fixados em formol.
Congele ou refrigere as amostras para doenças infecciosas ou toxicologia o mais rápido possível.

A autólise pode causar muitos artefatos de técnica nos tecidos, os quais podem ser confundidos com alterações patológicas. Todavia, é sempre melhor retirar amostras das áreas que aparentem anormalidade, do que assumir previamente que a alteração seja causada por autólise. O histopatologista será capaz de distinguir lesões pos mort de alterações patogênicas.


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