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Introdução: Porque realizar necropsia em animais de vida livre?
As doenças são alguns dos fatores que afetam a viabilidade das populações de animais selvagens em ambientes naturais. Em um ecossistema equilibrado, as populações de vida livre sobrevivem com baixa incidência de doenças ou epidemias. Entretanto, com a restrição dos abetas as populações selvagens tornam-se mais densas, aumentando também os riscos de epidemias catastróficas. Adicionalmente, a transmissão de doenças entre animais domésticos e selvagens torna-se facilitada.
A fim de determinar o risco do surgimento de doenças em uma população, a morbidade das afecções e as causas de mortalidade devem ser identificadas. Para determinação desse risco é necessário compreender a história natural das doenças infecciosas no ambiente em questão, incluindo a existência prévia de epidemias. Em muitas epidemias, em populações selvagens ou criações domésticas, o agente etiológico tem permanecido incógnito. Principalmente, por não serem coletadas amostras apropriadas dos animais mortos durante o surto, prejudicando os testes diagnósticos. Em outros casos, quando foram possíveis descrições técnicas, registro fotográfico e as amostras foram colhidas de forma apropriada o agente pôde ser determinado.
Para exames e resultados mais seguros seria ideal transportar animais doentes ou recentemente mortos a laboratórios de patologia, para serem submetidos à necropsia por pessoal treinado. Entretanto em muitas circunstâncias isso não é possível. Amostras apropriadas de tecidos podem ser obtidas em situações de campo, quando coletadas por pessoal treinado em técnicas de coleta e necropsia. O propósito deste manual é fornecer um guia prático para realização de necropsia em animais de vida livre. Demonstrando ainda como coletar, estocar e remeter amostras de campo para realização de testes diagnósticos.
Recomenda-se fortemente que seja obtida ampla amostragem de tecidos e sangue das carcaças examinadas. Se apenas algumas amostras forem colhidas, por suspeitar-se de uma doença específica, essas podem ser inadequadas para avaliar outras possíveis causas de uma epidemia, caso não se confirme a suspeita inicial. Adicionalmente, amostragens seletivas restringem as informações que podem ser obtidas no futuro, limitando dados que contribuam à saúde daquela população ou ao manejo do ecossistema.
Antes de se realizar a necropsia em um animal selvagem deve-se considerar dois pontos importantes:
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ZOONOSES: É possível que a espécie em questão possua doenças transmissíveis ao homem? Doenças como raiva e hidatidose em carnívoros, carbúnculo e raiva em ungulados, ou psitacose em aves podem causar doenças sérias ou fatais em seres humanos. Muitas doenças de primatas podem se manifestar no homem. DEVIDO A ESSES FATOS, A PESSOA QUE EXECUTA UMA NECROPSIA DEVE UTILIZAR COMO PROTEÇÃO MÁSCARA E LUVAS. Utilização de máscara é particularmente importante quando se realizam necropsias de primatas, aves ou carnívoros (suspeitos de hidatidose ou raiva). Todas as amostras devem ser manipuladas com cuidado, quando não fixadas devem ser colocadas em recipientes vedados, evitando que material infeccioso vaze durante o transporte.
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DOENÇAS INFECCIOSAS E NOTIFICÁVEIS: É possível que o animal em questão possua uma doença infecciosa transmissíveis à criação de animais doméstico ou outros animais selvagens? Em decorrência de uma necropsia, doenças como carbúnculo, febre aftosa e tuberculose podem ser disseminadas, devido à contaminação do ambiente. Cuidados redobrados devem ser tomados na descontaminação do local de necropsia quando são observando-se sinais sugestivos dessas enfermidades.
Reconhecimento De Doenças Importantes As seguintes doenças, que devem ser manuseadas apropriadamente, apresentam lesões que podem ser reconhecidas durante a necropsia. Atentar para o fato de que animais acometidos por raiva não apresentam lesões macroscópicas típicas.
Carbúnculo Os ruminantes apresentam o baço aumentado e com coloração negra, semelhante ao alcatrão. Carnívoros apresentam aumento de volume na região do cranial e cervical, devido ao edema dos tecidos moles. No esfregaço sangüíneo observam-se grandes bacilos (3-10 µm de comprimento por 1 µm largura) com as extremidades retas e circundados por uma cápsula. Esses bacilos podem ocorrer em cadeias curtas ou isolados. Carcaças com carbúnculo não devem ser submetidas à necropsia.
Echinococcose ("Hidatidose") Cistos transparentes no fígado de carnívoros e roedores.
Tuberculose Nódulos pulmonares, aumento dos linfonodos ou espessamento da parede intestinal.
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